Avó.

Bem, isto mais parece uma situação 'mensagem de garrafa' do que outra coisa. Apareço aqui de quando em vez, digo olá e desapareço mais uns quatro, cinco anos. É sempre bom voltar aqui, etc etc, repetindo tudo o que disse nas ultimas duas entradas. Update, mudei de emprego, trabalho em animação, estou a viver completamente sozinha há um mês como sempre quis FINALMENTE! Acabei com o E* há quase um ano, em bons termos porque já não conseguia mais esconder o meu amor pelo J*. Que surpresa, not me a voltar a dizer que finalmente conheci o amor da minha vida. Mas realmente faz todo o sentido. As duvidas que tinha com o E*, são as certezas que tenho com o J*. E isso basta-me. O futuro, só o universo sabe. Perdi o meu Naruto este ano. Perdi a minha avó o mês passado. Ainda hoje chorei horrores com saudades de ambos. Ainda não consegui aceitar a morte da minha avózinha, o coração pesa muito. Mas acredito que da próxima vez que esteja a ler isto, já esteja em paz com a ideia de não a ter do meu lado. Mas a saudade será pra sempre. Espero que da proxima vez que ler isto já tenha feito um filme sobre ela, a inspiração da minha vida. Quero muito homenagear a pessoa que ela foi. Ainda não consigo acreditar. Sinto a sua presença todos os dias. A sua mão no meu cabelo. A sua voz a sussurrar as suas últimas palavras para mim 'bonita' enquanto usava o seu casaco azul. E os seus ternos olhos azuis, meigos, calorosos. Nunca na minha vida me vou esquecer do último sorriso dela para mim. Nunca. Os meus últimos momentos com ela foram algo que sempre guardarei com um carinho imenso no coração. Mesmo que tenha doído. Mesmo que tenha sido sufocante vê-la num estado tão terminal. Mesmo que ela não quisesse ir embora. Eu vou sempre manter a memória dela viva. A minha avó viverá por mim. Eu faço toda a questão de tentar ser tão forte, tão carismatica, tão altruísta, tão guerreira, tão amorosa, tão amiga quanto ela. Nunca serei tão incondicionalmente amada como fui pela minha avó. E disso tenho eu a certeza. Cresceu em mim uma nova admiração pela vida. Quando penso 'caramba, nunca mais vou sentir o abraço da minha avó. Nunca mais a vou ouvir cantar o fado. Nunca mais vou comer um panadinho com arroz cozinhado por ela, com tanto amor', isso faz-me arrepios na espinha. Ela não está mesmo mais cá. E sinto que o tempo vai passar a correr. E daqui a uns anos vou passar pelo mesmo com os meus pais. A vida é tão efémera. Tanto dói, como me motiva a deixar-me de merdas e fazer. Como a minha avó sempre fez. Não interessam os outros, insteressa-me o meu caminho e o dos meus. Eu quero ser melhor. Por ela, por mim. Quero atingir o que ela conseguiu atinigiu. A minha avó trabalhou para que eu pudesse estar aqui hoje. Não quero que seja em vão. Quero fazer-lhe jus. Para sempre, vó.

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