Rejeições, desabafo.

Bem, desta vez fora só dois anos entre posts. Um pouco mais consistente. Cá estou novamente. Com crises existenciais, como sempre. Desta vez ninguém morreu, ainda bem. Está toda a gente bem de saúde. Mas deixa que te diga, fácil não tem sido. Muito rapidamente - estive num estúdio de animação durante 3 anos (2022-2025) e o ano passado cheguei a um ponto de sufoco onde já não aguentava mais um segundo ali. Sinto que a minha saúde mental começou a descambar a partir do momento em que percebi que esse emprego não me ia levar a lado nenhum. Depois de muita choradeira, despedi-me e comecei uma nova aventura. Fiquei freelance, comecei a trabalhar com uns estúdios fixes e de repente... inteligência artificial aconteceu. Fiquei meses sem trabalhar, em desespero total. Rejeição após rejeição após rejeição. Enviei um cold email a todos os estúdios que conhecia. Acho que foram pra mais de 300. Fiz vários filmes, vários projetos, abri uma loja online e fiz zero vendas. Fiz e refiz o meu website e o meu portfólio. O meu ego ficou completamente destruído. Depois do meu último filme (uma curta de 30 segundos) ter sido rejeitado em todos os festivais, perdi a última gota de creative juice que tinha no tanque. Graças ao poder do universo, consegui um trabalho com contrato fixo de 6 meses. Fico muito feliz por me conseguir sustentar, mas estou morta por dentro. Completamente morta. No meu dia de trabalho, faço o que tenho a fazer e mal dão 18h, fecho todos os ecrãs e só quero distância. A ideia de 'criar' deixa-me frustrada. Irritada. Exausta. É o que menos me apetece fazer. Olho para a minha arte e já não reconheço. Olho em minha volta e não me identifico com o meu ambiente. Sinto que dediquei anos da minha vida a uma indústria que agora me traz o oposto de paz. E nem paga bem. Tento consumir arte sem me comparar, o que é dificil. Hoje em dia, ver um filme pode deixar-me a sentir bem, ou a sentir que não estou a fazer o suficiente. Penso constantemente numa mudança de carreira, ou em pegar nas minhas merdas e voltar pra Portugal, ou pegar nas minhas poupanças e ir ver o mundo. Não sei o que é a coisa certa a fazer. Até lá, levo um dia de cada vez. Não quero ser pessimista, isto é um mero desabafo. Espero que não tenha que o fazer mais porque já não aguento muito mais.

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